Domingo, 18 de Novembro de 2007

A primeira "taça" de futebol conquistada pela Académica...

               Em Fevereiro de 1913 disputa-se a segunda edição sénior da Taça José Monteiro da Costa que «juntou ao F. C. Porto [...] Boavista e Leixões, a Académica de Coimbra, que jogava de camisola branca e calção preto. E que deixaria o Porto em estado de choque. Os conimbricences, contando com Durval de Morais; César Moniz Pereira e Sérgio Pereira; Agostinho Costa, António Borja Santos e António Perdigão; Carlos Sampaio, Filipe Mendes, José Júlio da Costa, José Cardoso e José Coelho, venceram o torneio» com uma grande vitória sobre o Porto por 3-1.

                Este desafio de futebol realizado no dia 10 de Março de 1913, está relatado num jornal desportivo da época que transcrevemos a seguir: «Se a concorrência aos desafios do Norte realizados até ao último domingo havia sido grande, a este dia foi verdadeiramente extraordinário. Jogava-se o match final do Campeonato e o interesse pelo resultado era enorme. A amenidade do dia, verdadeiramente primaveril, contribuiu, além disso, para a grande afluência que vimos no magnífico campo da Rua da Constituição. O jogo teve por vezes fases interessantes, e foi sempre seguido com extraordinário interesse por todos os que a ele assistiram. Não correu, é certo, com a regularidade que era de esperar e ao árbitro coube grande parte, senão toda a culpa deste facto. As faltas que sucessivamente deixou sem castigo e em especial os off-side de um dos quais resultou o terceiro golo contra o F. C. Porto, enervaram de tal forma os jogadores deste clube que o jogo tido pelo seu grupo foi, de certo por por diante, verdadeiramente desorientado. Se a falta de competência do árbitro justifica de certo modo o jogo feito pelo grupo do Porto, de forma nenhuma desculpa a falta de táctica, o enervamento e o desânimo que invadiram a maior partes dos seus jogadores. Chegámos a ver alguns cruzar os braços e negar-se absolutamente a jogar. No primeiro tempo, em que o F. C. Porto jogou com o vento contra, o jogo carregou quase sempre sobre o campo de Coimbra, especialmente no primeiro quarto de hora. Só os péssimos chutos dos forwards do Porto fizeram com que não se marcassem goals. Chegámos a ver dois jogadores desse grupo, exclusivamente sós com a bola nos pés a seis metros das balizas, e a atirarem a bola para fora, por ambos querem marcar. O Grupo de Coimbra defendia-se entretanto com grande energia e da primeira avançada que conseguiu fazer, devido a dois falhanços consecutivos de um back do Porto marcou o primeiro goal. Pouco depois marcava o segubdo, de igual modo como o primeiro. Com este resultado terminou a primeira parte. Neste meio tempo não podemos deixar de censurar a falta de táctica do back esquerdo do Porto, Vitorino, que teima em Avançar, deixando o seu companheiro absolutamente só, não obstante ter reconhecido o valor do grupo advresário e a falta de vista do árbitro. No segundo tempo o jogo esteve mais igual. O árbitro continuou a não ver as faltas cometidas, especialmente alguns off-side dos forwards de Coimbra. Entretanto, para compensar a falta de vista do referee, o back vitorino continuava a ir passear até à linha de forwards, o half esquerdo Camilo Figueiredo, cruzou os braços e deixou-se ficar mudo e quedo, e o Keeper Valença deixou propositadamente entrar o terceiro goal, por imaginar que um jogador adversário estava, como realmente estava, em off-side. O árbitro, porém, não se conformou e marcou o goal, apesar dos protestos dos jogadores do Porto. Não podemos também deixar de censurar a atitude do half esquerdo. A incompetência do árbitro não justifica de forma nenhuma o seu procedimento. Abandonar por completo os seus companheiros e deixando de jogar, sem se lembrar que um jogador de campo não pertence a si mas ao seu team e é uma falta de lealdade para com os seus colegas e uma desconsideração para com os adversários [...] Os forwards do Porto fizeram entretanto bastantes avançadas, mas o ponta-direita, Camilo Monis, que foi quem quase sempre chutou, enviava a bola para todos os lados menos para as balizas. O seu extremo nervosismo fez com que das numerosas bolas que chutou nem uma única fosse direita ao goal... O Grupo de Coimbra está esta época muito forte do que na época passada e mostrou ter muito treino. Tem elementos muito bons. Tem, é claro, alguns pontos fracos, mas no conjunto mostrou muito valor. É caso para felicitarmos a Académica de Coimbra, que conta no seu meio o team campeão dos grupos portugueses do Norte do País, e em especial o seu capitão Dr. Borja Santos, a quem se deve o resultado obtido»

 

 

 
publicado por Grupo Media Coimbra às 19:08
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